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sábado, 11 de junho de 2011

Especial "Dia Dos Namorados" Lado B - Eduardo Martinez


No Lado A tudo são flores, aqui entra o inverso. Todo amor que se preze tem uma dose de sofrimento. Na minha seleção do Lado B, essa face oposta ao amor aparece de várias formas. Despedida, solidão, desilusão e tristeza. Dito isso, se você quiser começar ouvindo essas músicas e terminar com o Lado A, para terminar o dia melhor, respeito sua escolha.


Frank Sinatra - In The Wee Small Hours Of The Morning

A música que é do disco de 1955 que tem o mesmo nome. É considerado por muitos o melhor disco já feito sobre separação. Foi feito logo após o término do romance de Sinatra com Ava Gardner e em um momento de dificuldade na carreira do cantor. A música transpira saudade e desilusão. Ouvir com calma e prestando atenção é de quebrar as pernas.





Jeff Buckley – Last Goodbye

O tema aqui, como o nome indica, é despedida. Com direito a toda dor e sofrimento que é possível quando você vê um grande amor se acabar. Aquele momento em que dizer “último abraço” ou “último beijo” podem doer mais que punhaladas nas costas, especialmente quando uma das partes ainda não se convenceu que o sentimento que havia, definitivamente, acabou.





Joy Division – Love You Tear Us Apart

Outra canção sobre despedida. Mas aqui o sentimento é mais de tristeza do que de desespero. A atmosfera gélida parece perceptível mesmo sem conferir a tradução da letra. Aí então, quando você entende, piora. “Quando a rotina corrói duramente/E as ambições são pequenas/E o ressentimento voa alto/Mas as emoções não crescerão/E vamos mudando nossos caminhos/Pegando estradas diferentes”.




The Beatles – I Want You (She’s So Heavy)

Se Beatles apareceu no Lado A como exemplo de fofura, eles também estão no lado negro da força mostrando toda a tensão que um relacionamento pode ter. A música, escrita por John Lennon, dizem que foi inspirada em seu relacionamento com Yoko Ono. A letra toda se resume a: “Eu quero você/Eu quero você tanto/Está me deixando louco/Eu quero você/Ela é tão pesada”.




The Cure – Just Like Heaven

Tudo começa lindo, a música sugere um relacionamento comovente de tão perfeito. Mas conforme a canção se desenvolve percebemos que há algo errado. A interpretação é aberta, mas a letra mostra que, ou tudo não passa de um sonho, ou o personagem da música perdeu seu grande amor. É bem triste. “A luz do dia me deixou em forma/Eu devo ter adormecido por dias/E movi meus lábios para respirar seu nome/Eu abri meus olhos/E me encontrei sozinho, sozinho, sozinho.../Acima de um mar revolto/Que roubou a única garota que eu amei/E afogou-a dentro de mim”

Especial "Dia Dos Namorados" Lado A - Eduardo Martinez


Com toda minha indecisão na hora de selecionar músicas, escolhi 5 para a lista do Trabucada em homenagem ao dia dos namorados. Trata-se aqui do “Lado A”, ou seja, da parte bonita da coisa toda. Meu critério de seleção foi quase aleatório, uma pesquisa na pasta de músicas do computador e um “peneirão” para escolher 5. Algumas óbvias, outras nem tanto. O amor aqui se faz presente de várias formas, seja com entrega total, com singeleza, e até escracho. Sirva-se:


The Smiths – There Is A Light That Never Goes Out

Morrissey, um dos profetas da dor de amor fala sobre a entrega total a esse sentimento tão abordado pelo cantor. Não sobram muitas explicações depois do refrão dramático/apaixonado: “E se um ônibus de dois andares/Colidisse contra nós/Morrer ao seu lado/Que jeito divino de morrer/E se um caminhão de dez toneladas/Matasse a nós dois/Morrer ao seu lado/Bem, o prazer e o privilégio seriam meus”. Precisa mais?




The Beatles – And I Love Her

Clichê? Com certeza. Mas se você descobrir um amor verdadeiro que não tenha clichês me mostre, por favor. E convenhamos, com uma melodia dessas, até uma letra do Luan Santana. Ok, talvez aí não. O que importa é que poucos falaram de amor com tanta singeleza do que os Beatles, no caso, Paul McCartney.




Wander Wildner – Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo

Sim, o assunto aqui é amor. A flor da pele. Passando com intensidade pelo desejo carnal (ok, tucanei o tesão, mas tudo bem). Sertanejos universitários dariam o chifre esquerdo por versos como: “Se eu pudesse estaria agora perto de você/Se eu pudesse eu ficaria sempre junto de você/Se eu pudesse eu estaria ouvindo o seu coração/Se eu pudesse eu não faria nada, nem essa canção”.




Michael Jackson – I Was Made To Love Her

A música é do Stevie Wonder, mas essa versão vibrante de um ainda criança Michael Jackson expressa o sentimento em questão com mais, digamos, força. Dá pra imaginar Michael, em sua pré-adolescência, cantando essa música e deixando marmanjas babando apaixonadas pelo gênio precoce.




Roberto Carlos – Eu Te Darei O Céu

Confesso que se não colocasse nenhuma música do Rei nessa lista, não conseguiria dormir a noite com tamanha injustiça. Daria tranquilamente para fazer várias listas dessa só com músicas de Roberto. “Eu te darei o céu, meu bem/e o meu amor também”, se isso não for o suficiente para conquistar uma garota, só lamento por ela.

sábado, 21 de maio de 2011

O dia em que Bon Scott morreu pela segunda vez


Na última semana, Tico Santa Cruz, vocalista e cabeça (oi?!) do Detonautas, colocou todo seu esforço direcionado para assassinar um hino do rock’n roll e, claro, chamar atenção para sua esquecida banda. “Como esquecida? Eles até vão tocar no Rock In Rio”. Ah sim, claro, Rock in Rio... pfffff. É só dar uma olhada na programação para notar que, para os organizadores, ainda estamos em 2002, talvez 2003. Ou seja, grande bosta!

O “gênio” pegou a base de Back in Black, do ACDC, e colocou uma “letra” por cima. O pior não é o aglomerado de clichês “cheios de atitude”, é que no refrão ele deixou a voz do Brian Johnson, ou seja, um dueto entre Brian Johnson e Tico Santa Cruz, NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO. Bon Scott, segundo vocalista e figura emblemática da banda, junto com os irmãos Malcom e Angus Young, morreu mais um pouco com isso.

Segue abaixo a “música” (me desculpem pelo excesso de aspas, mas cabem muito bem por aqui). Por sua conta e risco. E ainda uma breve “análise” dos “versos”.


Querem me calar mas mesmo assim
(é engraçadíssimo como esses caras acham que são subversivos)
Eu sigo na missão e vou lutando até o fim
(que missão, cara pálida! De deixar a juventude mais estúpida? E lutando contra o que? Quem pediu?)
Se o radio não toca rá,não tem problema
Entro pela internet depois quebrando teu sistema
Censura, boicote, alienação
Querem jovens idiotas pro futuro da nação
(aqui ele quis dizer: “minha música não toca mais em lugar nenhum, fiquei puto, mas tudo bem. Coloco qualquer merda na internet, falo que fui boicotado e conclamo a juventude para lutar contra sei lá o que. Tudo isso porque não trabalho com a hipótese da minha falta de talento e da irrelevância das minhas músicas”)
Mas não foi sempre assim e nem precisa ser
Quebre essa corrente então bota pra foder
(um “foder” sempre soa bem, dá aquela cara de rebelde)
Com esses moleques retardados criado em shopping
Todos afetados, cérebro de brócoles
(precisa comentar sobre essa pérola?)
Dizem que isso é rock isso não é rock não
Rock é isso aqui então aprende esse refrão
(“rock é isso aqui”. Primeira coisa sensata dita na música, considerando a música Back In Black, claro)

Heeeeeeheee
I’m back in black, cuz’ i’m back in black
(pobre Bon Scott!)

Se me bloqueiam de um lado, eu me infiltro do outro
Eu sou pior que um rato eu entro pelo esgoto
(ele quem disse)
Voltei de perto pro combate sem medo de apanhar
Eu não sou jesus cristo então vou revidar
(outra pérola. É um verdadeiro poeta)
A brincadeira é rebeldia, sem inteligência
Essa vidinha de gato é realmente deprimente
Ninguém questiona nada, ninguém contesta
Aceitam tudo calados ou somente detesta
Quando eu mudo minha faceta
Vejo o outro lado
Chega de exaltar esse glamour falsificado
(não via tantos clichês juntos desde, sei lá, algum single do Detonautas. Ops)
Eles dizem que isso é rock, rock é isso aqui
Aprende com quem sabe ai ac/dc

Heeeeeeheee
I’m back in black, cuz’ i’m back in black
(nesse momento Bon Scott está de barriga pra baixo, no túmulo)

Não foi capa de revista nem colirio da capricho
Lembro quando mtv tocava rock e era o bicho
(realmente ele não anda vendo MTV. Só um comparativo: pegue as bandas que tocam em programas da MTV atuais como Na Brasa e Big Audio. Agora compare com a geração que era “o bicho”: Detonautas, Charlie Brown, Tihuana e congêneres)
Tentaram me calar mas olha eu aqui de novo
Junto com os parceiros rá eu quebro o jogo
Quebrando a banca, curtindo o movimento
Atitude e consciência é conhecimento
Chega de aturar essa enganação aprende com quem sabe
Cante esse refrão
(esse papo de “movimento” me lembra automaticamente a treta do Dado Dolabela com o João Gordo. “Atitude”: a palavra mais banalizada das últimas duas décadas. O CPM22 dizia em uma propaganda de lâmina de barbear, o Chorão repete compulsivamente e, logicamente, sem sentido.)

Heeeeeeheee
I’m back in black, cuz’ i’m back in black
(Scott tomando um Fatality)



domingo, 27 de março de 2011

2011: para onde vai o rock?


Os anos 90 e 00 tiveram uma característica em comum no cenário rock mundial, ambas as décadas começaram com uma espécie de “movimento”, constituído de bandas não muito semelhantes entre si, mas que acabavam entrando, por um motivo ou por outro, no mesmo caldeirão. E com o decorrer dos anos os rótulos iam se desintegrando até que tudo se bagunçava para o início da década seguinte.

Movimento não seria a palavra, mas sim um subgênero dentro do rock, esse foi o caso do grunge nos anos 90, com Nirvana, Pearl Jam, Alice In Chains, Soundgarden etc. Nos anos 00 esse agrupamento não teve um rótulo forte (forte?!) como o grunge, mas Strokes, Franz Ferdinand, Kings Of Leon, The Killers, Bloc Party entre outros eram frequentemente chamados de bandas do “Novo Rock”.

É claro que essa é uma análise simplista, pois a década de 90, por exemplo, não se resumiu às bandas grunge. O estouro do Nirvana trouxe consigo vários grupos de rock alternativo, que antes não tinham a menor visibilidade. Em meio a tudo isso teve o Radiohead, que começou sutil, mas tomou proporções enormes. E antes da fase Kid-A, arrebanhou dezenas de bandas com sonoridade similar. Isso tudo sem falar no Britpop.

Agora estamos em 2011, o que vem por aí? Difícil dizer, mas é possível arriscar alguns palpites. Com o lançamento do mediano Angles, do Strokes, muito tem se falado sobre o “novo Strokes” (há um tempo o termo era “Novo Nirvana”) The Vaccines. Banda inglesa que tem sido muito comentada mundo afora. O primeiro disco, com o sugestivo e bem sacado nome “What Did You Expect From The Vaccines” é uma paulada, musicas curtas e diretas com letras colegiais. Lembra Ramones, Joy Division, Jesus & Mary Chain. Tudo tem cara de “já ouvi em algum lugar”, mas hoje em dia não estou muito certo se isso é realmente um problema.

O jornalista Lúcio Ribeiro, da Popload falou recentemente em algo como um neo-grunge. O que, acredito que de alguma forma, tenha ligação com os recentes ressurgimentos de Stone Temple Pilots, Alice In Chains e Soundgarden. Isso sem falar no disco que o Foo Fighters lança logo mais, com produção de Butch Vig (que produziu o Nevermind, conhece?) e outros indícios que apontam uma volta às raízes.

Essa tal nova geração do grunge surge lentamente com Cage The Elephant, Dinosaur Pile-Up e Yuck, citados também na Popload. Essa última com forte influência de Sonic Youth. As três com discos bastante interessantes.

Pode ser que nenhuma dessas bandas realmente vingue, enquanto isso não se define, continuamos na busca de um novo Nirvana, ou um novo Strokes, ou alguma banda que simplesmente torne o rock do início da década mais interessante. Apostas? Ponha na roda.






sábado, 26 de março de 2011

Trabucast 0# - O Piloto

todos empolgadíssimos com o papo


Você não aguentava mais ler? agora você também pode ouvir. O Trabucast é o nosso podcast que, se tudo correr bem, será gravado e postado no blog semanalmente. 

Por que resolvemos fazer? a resposta está nesse piloto, mas basicamente porque... deu vontade. O que tem nele? fatos relevantes, pelo menos para nós, e comentários sobre as postagens do blog, tudo no mesmo estilo (ou falta dele) que você vê por aqui. Quem está envolvido? Bem, nessa edição zero, estamos eu (Eduardo), Clemerson e Diego (Tião), mas esperamos que a Talita faça parte também, até vamos criar a tag #participatalita no twitter, o TT mundial nos aguarda (ahãm, senta lá). A edição é do Clemerson

Esse piloto é... bem, um piloto. Então tudo está em fase de teste ainda, tudo meio cru, mas não espere nada muito emperequitado nos próximos.

Os assuntos de hoje são:
                                              




Para baixar o Trabucast, basta clicar onde se lê DivShare. Divirta-se, ou não.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Melhores músicas de 2010 - 4 Mixtapes para acompanhar seu dia a dia



Em meio à trocentas listas de melhores do ano que saem em dezembro e janeiro, o trabucada (ok, na verdade foi só eu)  não apenas elenca algumas das melhores músicas de 2010, mas as agrupa em 4 mixtapes temáticas, para que 2010 te acompanhe ainda pelo menos por um dia inteiro de 2011.

A divisão foi feita pensando em alguns momentos do nosso dia a dia. São elas: Mixtape Bom Dia, Mixtape Bate Cabeça, Mixtape Dance Como Se Ninguém Estivesse Olhando e Mixtape Madrugada Deprê.

Cada uma das faixas tem 10 músicas, entre nacionais e internacionais. É claro que músicas fodonas acabam ficando de fora, por falta de atenção de quem as compila ou por gosto mesmo, ou apenas por não se encaixar em algum dos temas escolhidos. Se quiser xingar, fique a vontade.

Uma das coisas que considero mais legais de uma mixtape é ouvir como se fosse uma rádio (boa), criando aquela expectativa de qual será a próxima música. Por isso não coloquei a relação de músicas nessa postagem. Mas em consideração aos curiosos, a lista completa está nos comentários. A escolha é sua. Aconselho a ouvir primeiro e conferir os nomes depois, é bem mais divertido.

Clique no nome de cada Mixtape e seja feliz, ou não.




Acorde e dê o play. Músicas sonolentas, para acordar lentamente. Começa suave, de mansinho, depois cai em algo mais folk e aos poucos vai criando vigor, lembrando que o dia está começando, melhor levantar logo.


Agora você já acordou e o dia custa em acabar. Para acelerar o tempo e ainda entrar no clima para a balada de logo mais a noite, nada melhor que guitarras altas e bateria acelerada. O começo é leve, mas só por alguns minutos, depois o bixo pega. No final das contas a seleção ficou bem pop, mas se você não se pegar em algum momento fazendo air guitar ou tocando bateria imaginária, eu só lamento por você.


Enfim o sol se pôs. Você agora só quer sair e dançar, ou qualquer coisa perto disso, tipo balançar o corpo, como é o caso de boa parte dos participantes desse blog. E como o lema aqui é dançar, não se prenda a vertentes específicas de sons que te inspiram a sacolejar, até porque (novamente, no nosso caso) quando dançamos já estamos bem bêbados. O negócio aqui começa tribal, depois cai no suingue, corta bruscamente para um soul pop, depois algo puramente pop, até sons retro e rocks racha assoalho. Ouvir aditivado é uma boa dica.


A noite acabou e você foi embora com aquele complexo de bêbado depressivo: “minha vida não vale nada”. A sessão corta-pulso começa quase acústica e vai crescendo, como aquela mágoa que parece insignificante, mas com o tempo vai se tornando insuportável (meio gay isso, mas vá lá...). No final tem um pouco de peso, como uma forma de redenção. E ainda uma bônus track classuda. 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Geração coca-cola (com vodka)

Paul for kids

É quase desnecessário dizer que quando fui ao show do Paul McCartney (21/12 em São Paulo), me deparei com um público extremamente variado. Como diz minha mãe, tinha gente “de mamando a caducando”. Tiozões, famílias inteiras, playboys e até fãs.

Nas 5 horas que passei na fila mais as 4 na pista, tive um bom tempo para fazer exercícios de abstração. Ficava olhando as pessoas e imaginando quais que estavam lá unicamente pelo fato de um Beatle estar no Brasil, quais estavam pelas músicas dos Beatles, quais seriam fãs da carreira solo do Paul, fãs do Wings ou curiosos (quem paga 300 paus por curiosidade merece tortura chinesa, mas tudo bem).

Eu estava com mais dois amigos, conversamos com poucas pessoas na fila, sabe como é, bichos do mato, anti-sociais e tal... Ao nosso redor havia um rapaz da nossa idade (25 anos, mais ou menos), um outro da mesma idade, argentino, um homem, já na casa dos 40, junto com o pai, e algumas garotas de uns 19 anos. Não conversei o suficiente para saber os reais motivos de estarem ali, considerando que o amor pelos Beatles era unanimidade.

Havia também um rapaz argentino e duas garotas adeptas do veganismo. Ah é, também tinha o público fã das causas defendidas pelo Paul, vegetariano atuante. Não compartilho, mas respeito a ideologia e a dieta vegana, no entanto, confesso que fiquei um pouco perplexo em ver as garotas comendo grão de bico em caixinha durante a espera na fila. Fiquei imaginando que um vegano não sobreviveria no interior de São Paulo, onde vivo. Das três uma: morreria de fome, abandonaria a filosofia, ou comeria presunto escondido.

Já dentro do QG dos bambi Morumbi, ficamos ao lado de um grupo com 6 pessoas, 5 garotas, muito bonitas, e um garoto. Imaginei que tivessem uns 15 anos, mas ouvi de relance conversas sobre ir à faculdade segunda-feira, então imagino que tenham uns 17, não mais que isso.

Até interagimos um pouco com eles, mas a sensação de tiozões não nos permitiu prosseguir muito a conversa. Como o espaço estava bastante limitado, era inevitável escutar conversas alheias. Ouvi duas das garotas conversando sobre terem ido ao show da Maria Cecília e Rodolfo. Exercício de abstração mode on. Pensei: “o que fazem aqui? Estão pelos Beatles? Ganharam o convite?”.

Eis que em dado momento, uma das garotas começou a cantarolar “A Day In The Life”, e em seguida todas cantando “Give Peace A Chance” como quem canta Ivete Sangalo em uma micareta (você leu direito, eu escrevi “A Day In The Life” e “Give Peace A Chance”, e não “Twist And Shout” e “Yesterday”). Como as duas músicas são tocadas em um número só na turnê atual do Paul, pensei que elas poderiam apenas ter “ensaiado” o repertório, mas pensando melhor, acho isso possível, mas pouco provável.

Em outro momento, tocava Wilco nas caixas de som, não me lembro a música, mas uma das garotas perguntou para a outra: “que som legal, de quem será que é?”. Não sei porque não respondi, depois me arrependi de não ter contribuído para o bom gosto de nossa juventude.

Sei que fiquei pensando nisso depois. Estaríamos diante de uma juventude capaz de gostar (quando digo gostar é gostar mesmo, não só ouvir ou tolerar) ao mesmo tempo de Maria Cecília e Rodolfo, Luan Santana, Restart, Radiohead, Wilco e Beatles? É claro que isso é praticamente um estudo de caso picareta, estou tratando uma rodinha de garotas como toda uma geração. De toda forma, foi bom saber que existe esse nível de diversidade, não sei ainda se isso é bom ou ruim. E você, o que acha?

Público jovem presente no show

sábado, 27 de novembro de 2010

Smashing Pumpkins no Planeta Terra.
Sem voltar à estaca zero

(thejamminjabber.com)

Possivelmente o Smashing Pumpkins foi a banda que levou maior número de fãs ao Playcenter no último sábado (20), para o Planeta Terra Festival. Confesso que era minha maior expectativa entre os shows. Logicamente não esperava ver aquele Smashing Pumpkins clássico, com um Billy Corgan vestindo capas pretas (estilo Darth Vader), furioso, despejando clássicos e desconstruindo com autoridade pérolas do seu repertório (já vi umas 4 versões ao vivo diferentes de “Bullet With Butterfly Wings”, uma mais incrível que a outra), mas esperança é a última que morre, não?


Afinal, na formação clássica do grupo, mesmo com James Iha sendo um bom guitarrista, D’arcy quebrando o galho no baixo e nos gemidos (não, aquilo não era canto) e Jimmy Chamberlin dando aula de como se tocar bateria, o Smashing Pumpkins foi, é, e sempre será fruto da mente de Billy Corgan. Mas agora, a banda soa como Tio Corgan e seus estagiários. O baterista, Mike Byrne, de 20 anos, parece ter saído dos Hanson; no quesito baixista não há muito o que dizer, pois muitos marmanjos saíram apaixonados por Nicole Fiorentino, responsável pelas 4 cordas graves dos Pumpkins; e na guitarra, Jeff Schroeder, um cara de olhos puxados. Não, não é piada.


Mike Byrne
As origens de Mike Byrne
  
O show começou com uma inédita “The Fellowship”. Boa. Aliás, a nova leva de músicas deles é bem interessante. Seguiu com a “tanto-faz-como-tanto-fez”, “Lonely Is The Name” e, enfim, o primeiro clássico, “Today”, fazendo com que a nostalgia anos 90 pulsasse forte. Outra nova, “Astral Planes”, antecedeu o ponto alto do monótono disco Adore, “Ava Adore”, que ao vivo cresce com guitarras em primeiro plano. Em seguida, “Song For A Son”. Balada recente. Talvez a melhor da nova safra. Perde um pouco da força sem o piano e o violão, que pontuam toda a música em estúdio, mas ainda assim é uma boa canção. 

Jeff Schroeder, atual guitarrista

James Iha, o antigo


“Bullet With Butterlfly Wings” entrou rasgando, mas para quem já viu ela de tantas formas, boas, na ocasião pareceu tocada com desleixo, faltou tesão. Em seguida, “Tarantula”, talvez a única faixa digna de nota do album Zeitgeist, veio matadora. Até que acontece a maior atrocidade do show, e talvez do festival todo. A música “United States”, que em estúdio já era pura punheta, ao vivo alcança níveis apocalípticos. Uma sequência interminável de solos ruidosos e berros idiotas, e ainda um arghhhhh, solo de bateria. Aliás, fica o conselho, se você não é John Bonham ou, sei lá... Keith Moon, ou até Jimmy Chamberlin, jamais faça um solo de bateria, ao menos que antes se certifique que ninguém está ouvindo. E ainda ficou claro que o Macaulay Culkin das baquetas precisa comer muito arroz com feijão para chegar aos pés de Chamberlin. 


Ahh... Nicole Fiorentino

Depois do pesadelo, para quem suportou sem ir embora, claro, veio a boa nova “Spangled” e “Drown” emendada com “Shame”. Aí então, veio o momento que valeu a pena no show (ou talvez tenha gostado em comparação a modorrenta “United States”), mesmo sem um vigor lá muito invejável. “Cherub Rock”, seguida de “Zero”, com um final modificado que me lembrou o velho Pumpkins. “Stand Inside Your Love” e a incrível “Tonight, Tonight”, que mesmo sem o belíssimo arranjo de cordas (ou um teclado para emulá-lo) ficou bonita. 


Termina o show, mas tem bis. “Heavy Metal Machine”, que já vi (em vídeo, claro) destruidora ao vivo. Não foi ruim, mas o show terminou aí, agora em definitivo. Mas e “Disarm”? e “Perfect”? e “1979”? porra Corgan!!! é, não dá para confiar em um cara que até ontem tocava com uma camiseta escrita Zero e hoje aparece com um escrita Nature. Volta pra tumba, Nosferatu! 


Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

sábado, 13 de novembro de 2010

Impressões de um adolescente sobre um filme de peso



A sala não está muito cheia. Foi a primeira coisa que pensei quando entrei no cinema. Ah, já ia me esquecendo, meu nome é João e tenho 16 anos. Um típico rapaz cinéfilo de classe média. Achei estranho o público não ser tão numeroso, pois o filme tem apelo popular, e, acima de tudo, é muito importante que seja assistido pela juventude. Sabe como é, para sacar melhor as coisas. Mas talvez não esteja lotado porque demorei um pouco para ver, achei melhor esperar passar a estréia.

Antes de assistir o filme, já o considerava fundamental para o estado de espírito de um jovem de 16 anos. Cheios de dúvidas e rebeldias mal resolvidas. Além é claro, do momento atual da juventude brasileira, onde nossas escolhas são fundamentais para a boa convivência em sociedade nos próximos anos.

O diretor não tem uma filmografia muito extensa, pensei, mas isso não é problema, toda a vibração que o filme prometia era o suficiente para me deixar empolgado. O protagonista também era um grande atrativo, afinal acho o tipo de personagem perfeito para o ator.  

Ainda sobre o ator principal, após ver o filme, curti muito a forma como ele interpretou toda a mudança do personagem durante o longa, a maneira como ele passa a pensar diferente no final da história e ainda é alçado, pelos espectadores a um status quase de super-herói.



Além dos personagens principais, o que dizer dos atores coadjuvantes que interpretaram policiais! Fantásticos! um deles, considero como uma grande revelação. O cara estava presente nas cenas mais insanas do filme.

Só temo, um pouco, que entendam o filme errado (jovem é cheio disso!). Não vai ser legal a molecada ser influenciada erroneamente, e sair fazendo cagadas por aí. Pô galera, não vamos estragar nossa juventude nessa fase tão importante da nossa vida!

Confesso que esperava menos confusão na história, não que eu esteja reclamando, mas chega uma hora em que o negócio fica embolado de um jeito que você pensa que não vai resolver mais. A cena final é, de alguma forma, redentora, mas faz você sair do cinema pensando. Reavaliando seus caminhos, procurando ter certeza de que está indo no rumo certo.

Sei que no final das contas gostei muito do filme. Boa direção, bom elenco e bom enredo. Bastante intenso. Volto a dizer que, acima de tudo, a história é fundamental para garotos da minha idade, recomendo. Agradeço o espaço que o Trabucada me cedeu e me despeço dizendo que fiquei muito feliz de exercitar minha escrita dando minha opinião sobre esse filme tão importante para minha saída da adolescência, o filme “SuperbadÉ Hoje”.



sábado, 6 de novembro de 2010

Bons moços fazendo merda


Como já disse o Tião (Diego Assunção), no post inaugural dessa bagaça, esse é um projeto antigo. Iniciado nos bancos da faculdade. Agora, após muitas deformações estamos aqui.

Uma de nossas motivações para o início da ideia, ainda na faculdade, foi a grande bundamolice que assola os cursos de jornalismo por aí. Para muitos, acadêmico de jornalismo é sinônimo de porre, infelizmente não no sentido da cachaça, e sim da chatice mesmo. Cheios de “pseudices”, pseudo-engajamento, pseudo-rebeldia, pseudo-intelectualismo entre outros. É claro que isso não é geral, mas entre perdidos, chatos e desencanados sobram poucos.

Não há nada mais sacal do que ouvir aqueles comentários cheios de pompa do tipo: “Só ouço MPB e só assisto filme europeu, Hollywood é comercial”, é de cagar. Melhor que vá ouvir o rebolation, pelo menos (se for homem) não vai conseguir pensar em nada além de bundas sacolejando.

Esse pedantismo tem que ser banido da humanidade, quem sabe assim um jornalismo diferente vingue, e assim acabe essa palhaçada de “vai cair o diploma, não vai mais” parece até narração de quadrilha (a da festa junina, não a do crime).

A generalização é obvia. A intenção desse blog/site/depósito de dejetos, não é ser uma afronta ao jornalismo estabelecido, afinal quem quiser continuar fazendo merda, que continue. É na verdade uma tentativa de canalizar algo que criamos ou imaginamos, ou ainda que queremos retratar ou noticiar de forma não-convencional.

Buscamos com esse projeto, (sim, é um projeto, mesmo sem objetivos gerais, específicos, hipótese e justificativa bem definidos) exatamente mostrar que às vezes o garçom do boteco copo sujo é mais genial que o Alberto Dines, ou ainda que não adianta ter decorado a declaração dos direitos humanos se você nunca gritou Hey Ho, Let´s Go ao menos uma vez na vida.

O tom, por vezes um pouco agressivo, soando até maldoso, garanto que é dotado das melhores intenções possíveis. Ricardo Alexandre, ex-editor da Bizz disse certa vez que o saudável de uma crítica é, depois de espinafrar determinado trabalho, ir tomar um café com o artista autor do objeto comentado. Ou ainda o André Forastieri dizendo que para pagar pau já existe o fã, o crítico tem que apontar tudo. Algo assim.


Eu e o Tião, por meio de conversas de MSN e lanches do Gulosão (o lanche mais absurdo de Araçatuba), resolvemos colocar o negócio para funcionar dessa forma, pelo blog, mas a galera presente no início do projeto já está se manifestando, ou seja, teremos textos de um povo bem foda por aqui.

Não pense que esse papo de cowboy durão metendo o pé em porta de saloon é tão a sério assim, até somos bem sensíveis, até meio bobos, pra não dizer bocós (agora falo por mim). O importante é que estamos fazendo o que queremos, tão revolucionários quanto o Marcos Mion, e foda-se o resto. Do it Yourself.



Ps: agradecimentos ao Alex Guru, que fez esse layout massa, com a capa do Beggars Banquet dos Stones.